Comumente, instalam-se dúvidas acerca do descarte correto de medicamentos, sejam eles vencidos ou sobras de algum tratamento médico e, apesar de serem empregadas leis que reforçam a necessidade de medidas adequadas, a população perpetua as más práticas como o descarte em lixos comuns ou em vasos sanitários. Tal inadequação pode apresentar severos impactos ambientais frente à exacerbada quantidade que, segundo o Conselho Federal de Farmácia (CFF) em 2021, o Brasil produz de 10 a 20 mil toneladas de resíduos de sobras de medicamentos, por ano, incluindo também, fármacos vencidos.
Em uma escala empresarial, esses problemas podem afetar a reputação das empresas, visto que tais componentes liberam substâncias químicas nocivas aos solos, lençóis freáticos e rios e isso afeta a imagem corporativa dessas instituições, perante a necessidade crescente mundial de implementar cada vez mais práticas ambientalmente responsáveis.
Ademais, os riscos se ampliam para a saúde pública, uma vez que o descarte inadequado propicia o desenvolvimento de superbactérias, ou seja, bactérias que se tornam mais resistentes aos antibióticos e causam maiores danos aos humanos e animais que entrarem em contato com regiões contaminadas por esses microrganismos. Esse acontecimento não se restringe apenas à saúde populacional, mas se torna um dano à reputação da marca das empresas farmacêuticas, dado que elas possuem a obrigação ética de assegurar que seus produtos não agravam a situação.
Dessa forma, tem-se o prejuízo ao nome da empresa quando a eficácia terapêutica desses medicamentos em questão é posta de maneira a não suprir com a função de conter a resistência microbiana, resultando, assim, em um impacto negativo no tratamento de diversas doenças.
Outro fator que merece atenção, é o cuidado para com os trabalhadores que estão na linha de produção desses medicamentos e, consequentemente, lidam com o descarte incorreto dessas substâncias, deixando eles em contato direto com as toxicidades liberadas e gerando riscos à saúde ocupacional.
Logo, é extremamente essencial a implementação de um Manual de Boas Práticas de Fabricação (MBPF), o qual irá abordar as diretrizes necessárias para o descarte correto, criando estratégias de Gerenciamento de Resíduos Sólidos (PGRS) e demonstrando um compromisso em cumprir as normas e regulamentações exigidas por lei quanto à responsabilidade sustentável.
Com isso, não somente a proteção dos trabalhadores estará garantida, mas haverá a criação de um espaço laboral produtivo e sustentável, além de afastar possíveis penalidades e danos à reputação da empresa.
A partir da organização e implementação de estratégias de manuseio, pode-se pensar na viabilidade de empregar atitudes como a logística reversa, uma atividade que entra em conformidade com o gerenciamento de resíduos, ao passo que otimiza os custos e benefícios para a empresa. Nesse contexto, considera-se o retorno desses materiais – embalagens e medicamentos – após as vendas e o consumo, de modo que eles sejam inicialmente devolvidos para os comerciantes (como farmácias e até hospitais) e esses enviarem ao centro de fabricação.
Finalmente, as empresas podem inserir novamente ao seu ciclo produtivo e reduzir os gastos com insumos e matérias-primas, reforçando o princípio de quanto menos desperdícios, menores serão as despesas com a destinação dos resíduos.
Em suma, implementar um programa que promova o destino correto dessas substâncias cria uma conformidade regulatória, posto que atende as exigências pautadas pelo Decreto nº 10.388, da Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), e, consequentemente, promove a visão externa positiva do público sobre a instituição, aumentando o envolvimento com colaboradores.
Por sua vez, cria-se uma segurança quanto ao fortalecimento da posição da empresa no mercado, atraindo investidores na área e reforçando a imagem corporativa responsável e preocupada com a construção de uma sociedade devidamente saudável.
Portanto, isso acaba por propiciar novas oportunidades de negócios e ampliar a geração de emprego e renda, visto que possibilita a criação de novas parcerias e novos projetos, realizando um encadeamento produtivo com a reciclagem e outras empresas, assim como um zelo pelas necessidades do seu mercado consumidor.